Atrás do tempo, tempo “vai”
Teria eu cinco ou seis anos e, por esta altura do ano, vagueava, sem sequer pensar no ai seguinte, por […]
Teria eu cinco ou seis anos e, por esta altura do ano, vagueava, sem sequer pensar no ai seguinte, por tudo o que era canto, buraco ou lugar esconso, na quinta dos meus avós maternos, lá para as bandas das terras fartas de Lousada. E hoje (ou foi ontem?) eis-me a vasculhar, com a humildade dos simples, esse tempo longínquo, já tão longínquo, que se conta pela duração longa de uma vida humana. Todos sabemos, há que ter cautelas máximas, quando olhamos para trás. Primeiro, porque a memória é a coisa mais traiçoeira que se possa conceber, por sobre tudo quando tentamos ver as nossas representações passadas cobertas de pó e julgamos, atrevidamente, para não se dizer palavra mais dura, que tudo está, aqui e agora, a passar-se límpido à nossa frente. Depois, a memória na sua infinita perfídia, jura a pés juntos que “foi assim, podes ter a certeza, era a tua prima Hermengarda que brincava contigo naquele verão”. Mas, por acaso e até desfastio, vemos outras fotografias, já gastas e amareladas, precisamente do mesmo verão, e chegamos à conclusão que não, não era Hermengarda (que nome tão feio, talvez mais de inquebráveis ressonâncias medievais e que, por certo, saiu, quem sabe?, das cabeças egoístas dos padrinhos ou até dos pais, mas o que é verdade verdadinha, bem dolorosa verdade, para a minha querida prima, a quem puseram tal trambolho de nome e que, lembro-me agora, o detestava). Era...
Teria eu cinco ou seis anos e, por esta altura do ano, vagueava, sem sequer pensar no ai seguinte, por tudo o que era canto, buraco ou lugar esconso, na quinta dos meus avós maternos, lá para as bandas das terras fartas de Lousada. E hoje (ou foi ontem?) eis-me a vasculhar, com a humildade dos simples, esse tempo longínquo, já tão longínquo, que se conta pela duração longa de uma vida humana. Todos sabemos, há que ter cautelas máximas, quando olhamos para trás. Primeiro, porque a memória é a coisa mais traiçoeira que se possa conceber, por sobre tudo quando tentamos ver as nossas representações passadas cobertas de pó e julgamos, atrevidamente, para não se dizer palavra mais dura, que tudo está, aqui e agora, a passar-se límpido à nossa frente. Depois, a memória...
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Autor: Jornal da Mealhada
