A CGTP, o PCP e a Coreia do Norte
Sem grandes surpresas, a CGTP, que ao longo dos últimos 30 anos se tem afirmado como o braço armado do […]
Sem grandes surpresas, a CGTP, que ao longo dos últimos 30 anos se tem afirmado como o braço armado do PCP, retirou-se das negociações em sede de concertação social, acusando o actual Governo de estar a provocar o maior ataque aos trabalhadores desde o 25 de Abril.
Esta posição extremada da CGTP, a qual se mostra sempre afinada com a do PCP, revela um pouco daquela que é a sua identidade actual de irrealismo perante os novos tempos, teimando em manter-se agarrada a conceitos que, se deram resultados catastróficos nas sociedades comunistas caídas em desgraça no fim dos anos 80, hoje não têm qualquer sentido.
E por isso, faz todo o sentido dizer que o parceiro que pode cantar vitórias no fim da maratona negocial a UGT está para a actualidade como a CGTP está para a Coreia do Norte.
Ao contrário do que a CGTP pensa, e por arrasto o PCP, o actual Governo, personalizado no Ministro da Economia, reconhece a importância de ter chegado a um acordo inclusivo. Reconhece a importância de que a legitimidade democrática não se resume ao acto eleitoral, mas, ao invés pratica-se no dia-a-dia, reunindo, apresentando propostas, fazendo cedências para, no final, conseguir o maior consenso possível.
O certo é que o consenso foi obtido e, duma maneira geral, todos os parceiros que se envolveram seriamente nas negociações, já concluiram públicamente que, dentro de todas as condicionantes colocadas externamente, a solução final foi amplamente positiva.
Por outro lado, tanto a CGTP como o PCP preferiram uma vez mais auto-isolar-se da realidade, continuando na busca das quimeras com que um dia sonharam. Mas só se surpreenderia quem não tivesse ficado chocado com o voto de pesar pelo falecimento de Vaclav Havel que os comunistas, por fundamentalismo, repudiaram.
MIGUEL FERREIRA
in Coluna Vertical
Autor: Jornal da Mealhada
