Autarca de Penacova afirma que IP recusa reabrir a EN2
Álvaro Coimbra acusa a IP de não abrir alternativas ao IP3, como a EN2. Não há ainda data de abertura do itinerário principal que liga Coimbra e Viseu
Perante o encerramento do IP3 desde segunda feira, a Câmara Municipal de Penacova revelou esta terça feira que tem desenvolvido, nos últimos meses, múltiplos contactos junto do governo, IP – Infraestruturas de Portugal, Região Metropolitana de Coimbra, entre outras entidades, para acelerar o processo de reabilitação da EN2 e ER110.
“Tendo consciência do elevado impacto negativo que o encerramento prolongado destas duas estradas causa às populações, à economia local, aos transportes públicos, ao socorro, etc, a autarquia tem procurado colaborar com a IP para que se encontrem soluções expeditas e possam ser mitigados alguns desses impactos. Foi com este espírito que a câmara municipal propôs à IP a abertura da EN2 durante o período de verão, no troço junto ao cemitério da Carvoeira, compreendido entre os kms 238,240 e 238,450”, afirma o presidente da Câmara Municipal de Penacova, Álvaro Coimbra, citado no texto do comunicado.
O autarca aponta que na proposta enviada à IP, a Câmara Municipal defendia uma abertura provisória, com circulação alternada, apenas para veículos ligeiros e limitação de velocidade a 30 kms/hora. Para que esta abertura fosse possível, “a autarquia comprometia-se a executar um conjunto de trabalhos necessários para repor a circulação”.
Segundo o documento enviado ao nosso Jornal, a autarquia aponta a “correção e eventual reforço do sistema de recolha e encaminhamento das águas pluviais superficiais, assegurando desta forma o efetivo afastamento das águas da plataforma e da estrutura de pavimento da estrada; execução de rampas com misturas betuminosas nas zonas das fissuras existentes no pavimento, nos extremos do troço em que ocorreu o abatimento. Colocação de sinalização vertical de limitação de velocidade de 30 km/h, nos extremos do troço em análise. Colocação de um conjunto de semáforos para possibilitar a circulação alternada ao longo deste troço da EN 2.”
Além destas medidas, refere a edilidade, “instalou-se alvos topográficos para monitorização constante da plataforma afetada, estando ainda previstas, para breve, sondagens no solo. As leituras efetuadas recentemente pelos alvos topográficos revelam uma estabilização do terreno. Importa salientar que, em março passado, logo após as tempestades, a autarquia avançou com uma intervenção de emergência para estabilização dos muros do cemitério. Esta operação permitiu intervir nos talhões afetados, estando já em curso a trasladação de sepulturas. O conjunto de recomendações necessárias para reabrir o trânsito na EN2 constam de um relatório técnico elaborado pelo Itecons” – salienta.
A mesma fonte expressa que a proposta da Câmara Municipal de Penacova “não foi acolhida pela IP” que, através de carta, respondeu que “na presente data, não estão reunidas condições para autorizar a circulação no troço afetado.” Segundo a IP “permanecem por conhecer elementos essenciais sobre a evolução da instabilidade, designadamente a profundidade e espessura da massa de solo instabilizada (…) Acresce que os deslocamentos horizontais já observados no muro de contenção do cemitério, na ordem dos trinta centímetros, constituem um sinal objetivo de instabilidade relevante e não permitem concluir que a circulação rodoviária possa ser retomada com segurança.”
O presidente da Câmara de Penacova, citado no texto, afirma que “vê com extrema preocupação o calendário de trabalhos perspetivado pela IP, quer para a EN2, quer para a ER110, atirando a reabertura destas para uma data demasiado incerta”.
Autor: Jornal da Mealhada
