Quinta-feira, 23 de Fevereiro de 2012

De tudo um pouco – Análise politico-social

De tudo um pouco – Análise politico-social

Região

De tudo um pouco – Análise politico-social

De António Aleixo (1899-1949): Porque o povo diz verdades/Tremem de medo os tiranos/Pressentindo a derrocada da grande prisão sem grades/Onde […]

De António Aleixo (1899-1949):

Porque o povo diz verdades/Tremem de medo os tiranos/Pressentindo a derrocada da grande prisão sem grades/Onde há já milhares de anos/ A razão vive enjaulada. / ()

Bem longe dos jornalistas e cada vez mais protegido com segurança notada, Sua Exa., o Presidente da República, reuniu hoje num chamado ROTEIRO de qualquer coisa, para falar sobre a Demografia portuguesa e a sua preocupação com a falta de meninos para que se regenere ou revitalize a população.

Não quis falar aos jornalistas, que não tiveram acesso à sala dos discursos.

Ora é conhecida a reacção deste senhor, quando as coisas não lhe correm de favorÉ de longa data que o sabemosBotar faladura, se possível com amestradas audiências, pendentes do seu olhar de anjo,é um acto narcísico de que Sua Exa não abdica!

Ontem, foi uma modesta manifestação de alunos de uma escola de Lisboa, que lhe queriam dizer da miséria da vida dos pais e da falta de condições de trabalho-aprendizagem, na dita escola, que provocou a ira de Sua Exa e o fez mandar o motorista e os acompanhantes voltarem para trás! É mais fácil virar a cara à miséria, e falar dela em abstractoAssim é que é lindoA verdade é que Sua Exa. não lida bem com os do contraDepois da vaia no evento de Guimarães, há um afasta-te que eu não gostoE penso que não é assim que Vã. Exa pode continuar a ser o Presidente de todos os portugueses, como não se cansa de dizerSe de cada vez que, na sua ideia, alguém o ameaça só por se manifestar, se fechar entre os muros da residência oficial há qualquer coisa que não está bemLembra-se, EXa de quando, no tempo do anterior primeiro-ministro, quase incitava os portugueses ao protesto? os jornais lembram-se dissofalam dissoE agora, que as coisas mudaram de cor, no país? Não vemos o Presidente empenhado, como então, em dialogar, cara a cara, abertamente, com os seus eleitores pelo menos, para lhes dar o apoio na miséria, na fome, no retrocesso civilizacional a que se assiste e que nos faz lembrar épocas que julgávamos esquecidas. Infelizmente, para Va Exa , a sua aura de oiro caiu, já não tem a doçura de neo-eleito, comprometeu-se ,implicitamente, com medidas que os medíocres cegos do novo governo vão tomando, à revelia das posses dos portugueses. Desde o episódio da história das suas parcas reformas e da vaia em Guimarães, os portugueses vêem-no com outra cara. Daí a sua opção por espaços fechados, bem resguardado dos que já não acreditam na sua perfeição, afinal, tão imperfeita. E olhe que lhe digo tudo isto com o maior respeito, pois, para o mal e para o bem ,os portugueses decretaram que o Senhor é o meu Presidente!

Hoje, pede às mulheres portuguesas que tenham mais filhos! Já viu os jornais de hoje, Exa? Já viu que há mais de um milhão e duzentos mil desempregados neste país (des) governado pelo seu partido que o Sr . apoia?ao lado de quem está, de corpo e alma? a quem dá o sim a todas as leis?

Bem sabemos, desde que era primeiro-ministro, conforme, então, disse, que não lê jornaisMas, hoje, tem quem os leia por si, vê televisão, sabe o que se passa no seu miserável país! Miserável, com fome, sem emprego nem dinheiro, sem poder gastar o imprescindível para que as empresas possam sobreviver e não caírem em falências como tordos abatidose quer Va Exa , então, que as mulheres tenham mais filhosFalemos disso Já sabe que os incentivos ao nascimento de bebés acabou, em Portugal? Já sabe que o velhinho abono de família e os abonos especiais para crianças com doenças especiais, acabaram, alguns já no tempo do famigerado sócrates-estudante- de -filosofia-em-Paris?O que tem o seu governo para oferecer aos casais na banca rota e aos jovens de Portugal? Para já, impostos sobre impostos sobre impostosCarestia e carestia e carestia de vidaSalários mais miseráveis que em toda a Europa, que não são aumentados ao nível dos aumentos dos bens essenciaisemigração, desemprego, falta de serviços de saúde, de educação, de segurança a todos os níveisE já pensou, Sr, Presidente, onde é que o seu governo vai buscar mais impostos, pois não sabe fazer mais nada? Ora vê como sabe!: ao bolso dos pobres reformados e pensionistas, bem como a essa cambada de malandros os pobres funcionários públicos que não podem fugir ao roubo, porque lhes retiram o dinheiro directamente do ordenado, sem lhes darem qualquer tipo de satisfação!

No entanto, todos lemos que a França, um dos grandes da Europa, não tem problemas de demografia e que as mulheres francesas querem ter mais filhosPudera! Têm todos os apoios do estado!

Se as nossas tiverem ajuda, estou segura que também os quererão. Mas com as políticas do tiporouba tudo o que puderes, Gaspar! quem arrisca um futuro com problemas para ter um filho, quando não há garantias para se ser bom pai?

Mas registo que o nosso povo está a começar a ficar cansado; as conversas de rua dizem muitoTodos os tiranetes deste ainda chamado governo português, como bem diz a jornalista São José Almeida, in Jornal Público de 18 de Fevereiro, a páginas 33, ensaiam tiques crescentes de autoritarismo.

Um deles é o ministro que goza com os militares, numa crescente onda de provocações ignorantes e irresponsáveis; outro, é o banqueiro Relvas, a querer desagregar a identidade nacional com a eliminação de freguesias, comarcas, etcPor que é que um homem que ganhava (ganha?) tanto dinheiro fora do governo, se sujeitou a ir ganhar meia dúzia de tostões? O PODER CORROMPE TANTO COMO O DINHEIRO! Será isso?

E mais uma vez me lembro de António Aleixo:

Vós que lá do vosso Império

Prometeis um mundo novo,

Calai-vos, que pode o povo

Qurer um mundo novo, a sério.

Vem aí mais uma manifestação, com nova Greve Geral, dos trabalhadores e muitas classes sociais deste país. Os governantes parecem assustados ao desvalorizarem esse facto e ao desmerecerem o número de participantes nas mesmas. E começam com palavras de intimidação e com novos murros no estômago da bolsa dos cidadãos. Não é o número de manifestantes, no entanto, que os deve assustar: é o que está por detrás dessas situações, nomeadamente o descontentamento com a falta de um comandante que ponha o barco a navegar, que trace uma rota para podermos começar a ter Esperança de chegar a um porto de abrigo e para podermos, novamente, considerar o país um paraíso à beira mar plantadomesmo que com batatas, couves e feijões para matar a fome desse mais de um milhão de desempregados.

Mealhada, 19 de Fevereiro de 2012

Maria Elisa R.Ribeiro

htto://lusibero.blogspot.com

Autor: Jornal da Mealhada

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