«Manifestação em Lisboa pela não Extinção de Freguesias, como a vi, senti e vivi.», por Arminda Martins
IDENTIDADE, HUMILDADE E SOLIDARIEDADE, foram as palavras de ordem levadas a Lisboa pelo Povo Português e pelos mealhadenses, que no […]
IDENTIDADE, HUMILDADE E SOLIDARIEDADE, foram as palavras de ordem levadas a Lisboa pelo Povo Português e pelos mealhadenses, que no passado sábado, 31 de março, se deslocaram a Lisboa deixando para trás muitos dos seus afazeres e compromissos pessoais, familiares e profissionais, em muitos casos com um grande esforço físico e financeiro, mas numa clara missão de defesa dos interesses das nossas populações e freguesias.
Uma Manifestação colossal na verdadeira acepção da palavra, onde se sentiu e assistiu a uma forte presença física de gentes genuínas e humildes com muito calor humano e um forte espirito de solidariedade.
Eu diria que as Gentes das nossas freguesias invadiram Lisboa dando uma verdadeira lição de Identidade com uma Humildade extrema e num claro sinal da sua afirmação e união, ao Governo de Portugal. Afirmação e união sobre a quais os senhores Primeiro Ministro Passos Coelho, o Ministro Miguel Relvas e o Secretário de Estado Paulo Júlio devem reflectir e tirar as devidas conclusões.
Enquanto munícipe deste Concelho e também autarca, cabe-me deixar uma palavra de força e esperança a todos os que participaram naquela que foi a maior e mais expressiva Manifestação do Povo pós 25 de Abril de 1974, e disso não tenho dúvidas.
Manifestação onde o Povo mostrou saber aquilo que quer e como quer, o que me leva cada vez mais acreditar que é possível salvar o nosso concelho e as nossas freguesias deste atentado que o Governo PSD-CDS teima em levar para a frente, contra a sua vontade.
A Mealhada tem sido exemplar em matéria de gestão autárquica quer ao nível camarário quer ao nível das suas freguesias pelo deve ser recompensada e não penalizada e ver reconhecido o seu esforço na gestão e aplicação dos dinheiros públicos ao longo dos anos.
Não devemos aceitar outra coisa que não seja uma Lei que venha ao encontro da vontade das nossas populações, porque já as ouvimos e sabemos aquilo que desejam.
Qualquer eleito local desde a Junta de Freguesia à Assembleia Municipal foi eleito de forma democrática e é de forma democrática que deve defender até ás ultimas instâncias a vontade do seu Povo.
Ouvir o Povo, é deixar a Mealhada fora desta absurda Reforma da Administração Local.
Atrevo-me a dizer que por direito e no seio de uma Reforma desta dimensão deveriam ser criadas excepções de aplicação para Municípios e Freguesias onde por exemplo comprovadamente os critérios de boa gestão e saúde financeira fossem uma das premissas, uma vez que a desculpa para esta reforma é o Memorando com a TROIKA com o qual se pretende fazer baixar o défice português.
Não aceitarei discutir quaisquer critérios, porque sou frontalmente contra esta Reforma da Administração Local desde a primeira hora. Como não aceitarei de qualquer forma que não a democrática qualquer agregação ou extinção de Freguesias no Município da Mealhada.
A minha ida a Lisboa no passado sábado, reforçou ainda mais a minha vontade de continuar a lutar de forma civicamente por aquilo que acho ser o justo para as populações das Freguesias do Concelho da Mealhada.
Permitam-me um Viva às Freguesias do meu concelho.
xa0
Arminda Martins
Vereadora da Câmara Municipal da Mealhada
Março 2012
Autor: Jornal da Mealhada
