O Homem da Fusão
Eis a entrada triunfal no governo do loquaz Miguel Relvas, com um Primeiro-Ministro como o senhor Passos Coelho que tudo […]
Eis a entrada triunfal no governo do loquaz Miguel Relvas, com um Primeiro-Ministro como o senhor Passos Coelho que tudo o que fazia era recitar receitas neoliberais sem saber o que dizia. Durante algum tempo parecia o senhor todo-poderoso daquilo tudo, não sabendo do que falava, não sabendo do que tratava, mas decidia. E decidia sempre a favor dos negócios dos que o ajudaram a eleger, mesmo que isso significasse deixar os seus concidadãos na maior das misérias.
Era ele quem puxava os cordelinhos, que distribuía os tachos e pagava com favores os favores da campanha. Tudo lhe corria bem não fosse a obrigação, devido ao acordo da Troika, de reduzir Municípios e Freguesias.
Porém, o dilema é que aquilo está pejado de gente do partido e é uma força muito importante nas eleições internas.
Mas, para agradar aos credores, era preciso ter coragem para mexer num ninho de víboras e nos interesses instalados, desde os cargos “eleitos”, aos assessores, às empresas municipais e às negociatas. Claro que não são as juntas de freguesia que abrem luxuosos gabinetes de atendimento, que contratam assessores a peso de ouro, que inventam empresas municipais para empregar amigos, por isso as páginas do livro começavam a rasgar-se.
A solução encontrada foi, como fazem os mais pusilânimes, não mexer com os mais poderosos, os municípios, e atacar a arraia mais miúda, as freguesias. Começou, assim, um ataque cego ao Poder Local democrático, fragilizando gravemente a representação dos interesses e pretensões das populações que a presença de órgãos autárquicos, como as freguesias, assegura.
Entretanto as coisas começaram a correr mal no dia 3 de Dezembro de 2011 no Arena de Portimão onde o ministro, ao usar da palavra, foi de imediato interrompido por vaias e gritos de “vai-te embora”, com cerca de trezentos delegados a saírem da sala, recusando-se a ouvi-lo. Vieram depois os presidentes das dez juntas de freguesia de Matosinhos a exigirem a sua demissão acusando-o de provocar um retrocesso da vida democrática portuguesa, corporizado pela proposta de lei da reforma administrativa.
Esqueceu-se, o senhor ministro, que a união faz a força e todas as freguesias do País são milhares e com um grande poder de proximidade com as populações. Assim, três movimentos nacionais contra a extinção de freguesias («Freguesias Sempre», «Freguesias Sim» e a Comissão de Freguesias do Concelho de Leiria) resolveram reunir-se em Coimbra. Desta histórica reunião saiu a criação de uma plataforma nacional contra a extinção de freguesias, tendo sido aprovada a rejeição por completo desta nova proposta, considerando que nada de novo acrescenta. Bem pelo contrário, ainda consegue ser mais abrangente relativamente às freguesias.
Mais de duzentas mil pessoas a desfilar por Lisboa são um aviso sério ao seu poder e às suas políticas e que pode representar problemas locais a acontecerem simultaneamente por todo o País.
Com a Troika a pressionar para que também os municípios sejam reduzidos e o Vítor Gaspar (uma espécie de novo homem das botas) a assenhorear-se de tudo quanto são poderes no governo e um Coelho lá na toca totalmente incapaz de controlar a situação, os problemas começam a ser muitos.
A perda de força no Partido e no governo começa a ser evidente e falta saber como vai reagir, ou o que o Conselho de Administração vai exigir para, mais cedo ou mais tarde, se afastar.
Do mais poderoso ministro deste governo já pouco parece restar e não nos surpreenderia nada que, na próxima remodelação da governação, fosse fazer companhia ao Alvarinho da Economia.
Está provado que quanto mais super são os ministros mais depressa parecem cair. Ficamos a aguardar para ver se a tradição se cumpre, ou se já não é o que era.
Parafraseando um certo deputado do nosso distrito, apetece-me dizer: “Põe-te fino óRelvas!”
Jorge Campos Carvalho
Secretário da Junta de Freguesia de Luso
Autor: Jornal da Mealhada
