PS/Mealhada: Franco vai a jogo contra Marqueiro
ACTUALIZADO às 15h 27m de 14.05.12 António Jorge Franco – antigo vereador e presidente da Fundação Buçaco – é candidato […]
ACTUALIZADO às 15h 27m de 14.05.12
António Jorge Franco – antigo vereador e presidente da Fundação Buçaco – é candidato à comissão política concelhia da Mealhada do Partido Socialista, apresentado-se como alternativa a Rui Marqueiro – antigo presidente da Câmara e atual líder dos socialistas – que já entregou a sua lista de candidatura ao quarto mandato. As eleições realizam-se a 1 de junho e, tal como no sufrágio de 2008, contará com, pelo menos, duas listas: Por um lado a lista de Marqueiro – que lidera o partido desde as eleições autárquicas de 2005 – e, por outro, a sensibilidade mais próxima de Carlos Cabral e da maioria dos vereadores municipais. Sensibilidade essa que em 2008 foi liderada por José Carlos Calhoa e agora contará com António Jorge Franco à cabeça.
Augusto Mamede é candidato pela lista de Marqueiro
O prazo para a entrega das candidaturas aos órgãos concelhios do Partido Socialista – cujas eleições terão lugar a 1 de junho – só termina a 22 de maio. No entanto, Rui Marqueiro já apresentou a lista com os 31 nomes que constituem a Lista A à comissão política, de onde sairá, depois, o secretariado concelhio. Na sua lista, o antigo presidente da Câmara Municipal da Mealhada (1989 – 1999) conta com o apoio de José Miguel Felgueiras (presidente da Assembleia Municipal da Mealhada) e com a candidatura dos vereadores municipais Júlio Penetra e Arminda Martins e de Jorge Carvalho (secretário da Junta de Freguesia de Luso), que é, também o número dois da lista. Todos os membros da Assembleia Municipal eleitos pelo PS e militantes do partido fazem parte, também, da lista de Marqueiro – como Guilherme Duarte, Luís Tovim, António Ribeiro, Artur Dinis, Sandra Carvalho, Carlos Rodrigues, entre outros. O presidente da Junta de Freguesia da Antes, Benjamim Almeida, também está na lista de Marqueiro. Todos os outros presidentes de junta socialistas terão sido convidados por Marqueiro, mas terão declinado o convite, até porque muitos estarão impedidos de se recandidatarem.
Mas a grande novidade na lista de Marqueiro acaba por ser o regresso do histórico socialista Augusto Mamede, que depois de ser vereador municipal apoiou a candidatura do Movimento Independente Odete Isabel – em 2001 – e acabou por ser expulso do Partido Socialista. Por iniciativa da estrutura concelhia do PS, as expulsões do MOI foram reconsideradas e os militantes que quiseram foram readmitidos. Alguns regressaram, como Augusto Mamede, que agora volta às lides políticas – apoiando Marqueiro, de quem foi vereador – depois de mais de uma década de afastamento.
Bruno Lima e Sandra Machado são outros nomes da renovação de Marqueiro que, segundo próprio, fez questão de “puxar pela qualidade”, numa lista que conta com indefectíveis como Fernanda Graça.
António Jorge Franco confirma candidatura, mas só anuncia apoios mais tarde
Ao Jornal da Mealhada António Jorge Franco confirma a sua candidatura à liderança da concelhia da Mealhada do Partido Socialista. No entanto não adianta mais nada, anunciando que “depois do dia 20 de maio”, fará o anuncio público “da composição da lista”. “Nessa altura anunciarei os nomes e as razões que levaram as pessoas com quem falei a aceitarem o desafio de apresentarem uma alternativa”.
Franco não confirma a presença de José Calhoa, de Filomena Pinheiro ou do próprio Carlos Cabral na sua lista, mas segundo informação a que o Jornal da Mealhada teve acesso, estes nomes integrarão a lista. Assim como os nomes dos militantes que, em 2008 haviam integrado a lista de Calhoa e que em 2010 haviam sido indicados por este para a lista de consenso encabeçada por Marqueiro.
Duas listas em véspera de escolha autárquica, como em 2000 e 2008
A existência de duas listas candidatas à comissão politica concelhia da Mealhada do Partido Socialista não é um dado novo. Poderia até dizer-se que faz parte da tradição, especialmente na escolha de mandatos em que são selecionados os candidatos autárquicos. Foi assim no mandato que antecedeu as eleições autárquicas de 2001, em que Odete Isabel se candidatou contra Carlos Cabral. E assim foi em 2008, quando José Carlos Calhoa se candidatou em alternativa ao mesmo Marqueiro. Entretanto, em 2003, Carlos Cabral foi candidato sem oposição, o mesmo acontecendo em 2006, o primeiro dos quatro mandatios seguidos de Marqueiro, e em 2010, quando Marqueiro e Calhoa concordaram em fazer uma lista de consenso.
Tanto em 2000, como em 2008, os socialistas preferiram sempre manter a liderança, em ambos os casos reelegendo Rui Marqueiro.
Marqueiro ainda não sabe se tem oposição mas não estranha
Ao Jornal da Mealhada Rui Marqueiro informou que ainda não tinha conhecimento da candidatura de António Jorge Franco. “Ainda não me foi dito por ele que era candidato”, declarou Marqueiro que, por outro lado, não estranha. “Fomos percebendo que ia acontecer. Pelos artigos de jornais, pelo que ia sendo dito, pelas posições que iam sendo públicas e, até, pelo facto de algumas pessoas sistematicamente faltarem às reuniões das comissão política”, asseverou Rui Marqueiro.
“Há pessoas que se foram autoafastando, que deixaram de ir às reuniões. Curiosamente algumas das pessoas que integraram a lista de 2010 por indicação de elementos da outra lista. Faltas essas, justificadas é certo, mas que puseram em causa o quorum da comissão política em algumas situações”, afirmou Rui Marqueiro que confirmou o facto de não ter convidado nenhuma dessas pessoas para a sua lista.
Escolha dos candidatos à Câmara é feita pelos militantes
As recentes alterações aos estatutos do Partido Socialista mudaram o panorama da escolha dos candidatos às autarquias locais, especialmente do candidato a presidente da Câmara. Se até agora a escolha dos candidatos era feita pela Comissão Politica Concelhia e, depois, ratificada pela estrtura nacional, as alterações recentes dos estatutos criaram a figura das primárias. Assim, qualquer militante do Partido Socialista pode ser candidato a candidato a presidente da Câmara. Para isso, bastará que reuna um número minimo de subscritores e apresente a sua candidatura. A Concelhia organiza, depois, um processo de eleição com os votos de todos os militantes e informa a nacional, a quem cabe a indicação de quem é o candidato, depois de a concelhia ter, também, uma palavra a dizer.
Ou seja, não será determinante ganhar a concelhia para se quiser ser candidato a presidente da Câmara, uma vez que os procedimentos passam agora a correr autonomamente.
Franco garante que esta eleição não é teste à aceitação para candidatura a presidente da Câmara
“Esta eleição pode cheirar a autárquicas, mas o partido não governa as autarquias. Deve ouvir os autarcas, mas não deve falar de coisas que não estão na sua esfera de competências”, afirmou Rui Marqueiro. Por outro lado, diretamente interpelado pelo repórter do Jornal da Mealhada, sobre se esta eleição não seria um teste para saber da sua aceitação entre os militantes numa eventual candidatura a candidato a presidente da Câmara, António Jorge Franco respondeu: “Não. Absolutamente!”
JM
Autor: Jornal da Mealhada
