Quarta-feira, 18 de Julho de 2012

Violência?!…

Violência?!…

Região

Violência?!…

Há um ano tomava posse o Governo e a CGTP-IN alertava que as políticas anunciadas com a desculpa do pacto […]

Há um ano tomava posse o Governo e a CGTP-IN alertava que as políticas anunciadas com a desculpa do pacto de agressão eram um desastre. Estava errada? Desastre para a economia. Catástrofe de desemprego, derrocada nos salários e pensões, alastramento da pobreza; viver cada vez pior. A CGTP alertou mas também sublinhou alternativas; é o que continua a fazer e é por elas que luta.

O recente controlo orçamental mostrou: tantos sacrifícios para porra nenhuma O défice não baixou, a dívida subiu, a economia queda-se em recessão, o país afunda-se. E querem-nos calados?! Os governantes aí andam a preparar mais porrada, enquanto celebram com cinismo a paciência dos portugueses Os executores rezam por ela para continuarem o trabalhinho sujo; os que enchem a pança, nacionais e estrangeiros para quem a austeridade é um maná, elogiam a lusa paciência; os apaniguados agastam-se com quem se desobriga da ordem mansa e conformada do rebanho submetido ao capitalismo moderno.

As manifestações de opinião, de vontade, de indignação, de protesto, não surgem de geração espontânea; e são acontecimentos imprescindíveis em sociedades em que o lema não seja o saudoso (?) está caladinho se não levas no focinho. Há quem proponha as manifestações, quem as organize, quem participe, expressando pontos de vista, opiniões, ideias. A geração espontânea é ideia errada também nas lutas políticas e sociais. À data da fundação da Intersindical Nacional, o poder impunha a paciência pela repressão; o poder agora prega-a como virtude (estupidificante) e os seus escribas reclamam-na, arreganhando os dentes contra os que não amocham. Mas a CGTP nem nos outros tempos deixou de lutar, de organizar e liderar a(s) luta(s) em defesa dos trabalhadores e de uma sociedade, um país e um mundo melhor. Os reaccionários sonham com o contrário, mas o capitalismo e tão selvagem, tão feroz, tão retrógrado que ele cavalga a chupar o sangue fresco da manada! não é o fim da História.

O sr. Miguel Ferreira veio a este jornal verter lágrimas acerca da violência que, há dias na Covilhã, teria sido perpetrada sobre o desvalido ministro Álvaro Santos Pereira, aquele que até parece parvo e que diz coisas que fazem crer que seja mesmo aquilo que parece. Não temos registo, é pena, de outras lágrimas e protestos face à violência brutal que o governo da estima do articulista exerce sobre a grande maioria dos portugueses, incluindo crianças, jovens e idosos: roubos de salários, subsídios e pensões, políticas que promovem o desemprego, aumento selvagem da exploração, dificuldades no acesso à saúde, empobrecimento da população, aumento das desigualdades, estrangulamentos sobre a maioria das empresas coisas de enorme violência, perante as quais se ergue o direito básico, constitucional, de resistência. A CGTP resiste e luta por alternativas: é sua opção e é sua obrigação, ou não fosse a grande Central Sindical dos trabalhadores portugueses.

A condenação das acções de protesto vem (re)entrando, sem surpresa, no discurso dos políticos no poder. Perante a notoriedade do descalabro que resulta das suas acções, porfiam a obrigar os portugueses à condição de carneirinhos mansos e quedos sob o cutelo. Sabem eles que esta é uma condição necessária para prosseguirem o regabofe A aflição do sr. Miguel Ferreira, condoído com as merecidas vaias que o seu companheiro ouviu é, tão só, uma intrujice política.

Violência, também na Covilhã, há demasiada. Exemplo dela é o anúncio de mais mil despedimentos no distrito, só nos dias precedentes à visita do ministro da Economia e do Emprego.

E sossegue o sr. Miguel Ferreira: as hordas de seguranças que acompanham tais figurões, pagas com o nosso dinheiro, são mais do que suficientes para evitar riscos de actos mais desesperados de quem está nos limites, farto com as políticas do PSD!… E, devia saber, o facto dos protestos terem organização é precisamente uma para que o desespero das pessoas se expresse, como é direito e necessidade patriótica, sem derivar para contraproducentes episódios de efectiva e não simbólica violência. Não se sabe é, com a violência que o governo do partido do sr. Miguel Ferreira está a exercer sobre as pessoas, até quando a razão dos portugueses ainda mandará mais do que o seu desespero.

Por último, as delirantes acusações do articulista à CGTP em torno da ruina da agricultura e da não criação de postos de trabalho Ó Sr. Miguel Ferreira! Na sua área política, não é só o violentadíssimo ministro que dá nas vistas por dizer parvoíces! Passou a ser um culto fácil. Veja lá, não vá ainda acabar como aquilo que ele parece!

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João Louceiro

Pampilhosa

Autor: Jornal da Mealhada

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